terça-feira, 28 de junho de 2011

Roubando suspiros, por Veríssimo

   Para se roubar um coração, é preciso que seja com muita habilidade, tem que ser vagarosamente, disfarçadamente, não se chega com ímpeto, 
não se alcança o coração de alguém com pressa.Tem que se aproximar com meias palavras, suavemente, apoderar-se dele aos poucos, com cuidado. Não se pode deixar que percebam que ele será roubado, na verdade, teremos que furtá-lo, docemente.
   Conquistar um coração de verdade dá trabalho, requer paciência, é como se fosse tecer uma colcha de retalhos, aplicar uma renda em um vestido, tratar de um jardim, cuidar de uma criança. É necessário que seja com destreza, com vontade, com encanto, carinho e sinceridade.
   Para se conquistar um coração definitivamente tem que ter garra e esperteza, mas não falo dessa esperteza que todos conhecem, falo da esperteza de sentimentos, daquela que existe guardada na alma em todos os momentos.
   Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes, que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago.
   E então, quando finalmente esse coração for conquistado, quando tivermos nos apoderado dele, vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco. Uma metade de alguém que será guiada por nós e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração.Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com certeza haverá instantes, milhares de instantes de alegria.
   Baterá descompassado muitas vezes e sabe por que? Faltará a metade dele que ainda não está junto de nós. Até que um dia, cansado de estar dividido ao meio, esse coração chamará a sua outra parte e alguém por vontade própria, sem que precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará a metade que faltava.
   E é assim que se rouba um coração, fácil não? Pois é, nós só precisaremos roubar uma metade, a outra virá na nossa mão e ficará detectado um roubo então! E é só por isso que encontramos tantas pessoas pela vida a fora que dizem que nunca mais conseguiram amar alguém... é simples... é porque elas não possuem mais coração, eles foram roubados, arrancados do seu peito, e somente com um grande amor ela terá um novo coração, afinal de contas, corações são para serem divididos, e com certeza esse grande amor repartirá o dele com você.

Luís Fernando Veríssimo

domingo, 26 de junho de 2011

Desabafo de algumas pegadas sem graça

Here I am again... Duas vidas depois tentando (sem sucesso) voltar a escrever. Ultimamente ou nem tanto assim, sei que escrevo pro vento, pra mim mesma ou pra encher espaço nesta página, me arrependo todo santo dia quando boto os pés no chão, respiro fundo e abro a janela do quarto por não correr atrás do que eu mais quero na vida. Eu reclamo de tudo, da hipocrisia do mundo e das pessoas, da preguiça, da má vontade, da falta de esperança, mas na verdade uma das pessoas que mais faz isso sou eu. Eu, euzinha, muá queridos, sou e faço tudo o que listei acima e provavelmente muito mais, por isso vim aqui hoje deixar um ultimato: Vamos parar de criticar o que mais odiamos no mundo porque é justamente o que mais cultivamos dentro de nós ou um dia vamos olhar pra trás e ver o rastro de pegadas vazias que deixamos. Prometo agora a mim mesma, pros meus leitores imaginários, minha consciência e pra este blog aparentemente abandonado que eu deixarei pegadas pesadas e marcantes por onde eu passar, que irei lutar pelos meus sonhos mesmo que ninguém mais no mundo dê valor neles e que principalmente encherei a boca com orgulho pra falar mal de tudo aquilo lá do começo sabendo que eu não faço mais parte daquela merda. O nervoso e a vergonha as vezes fazem bem, é bom pra sacudir e dar um jeito na vida, devemos e podemos perder a linha e voltar pra estrada de novo sabendo que encontramos finalmente o nosso lugar.


Depois disso... Me vou de novo com essas tantas promessas de que irei voltar, mil beijos. Lari

quarta-feira, 20 de abril de 2011

À Passar

     Pessach em hebraico significa Páscoa, Páscoa em grego significa passagem, e passagem na vida significa caminhar rumo ao novo. Você não precisa ser muito religioso para entender o que a Páscoa realmente é. Ela não se resume apenas a comemoração da ressurreição de Cristo e muito menos um feriado de delírio para os chocólatras, trata-se de comemorar o novo. Começar novamente, enfrentar uma mudança seja ela pequena ou grande, percorrer outro caminho, se dedicar a algo diferente, se embrenhar cada vez mais na graciosidade de simplesmente viver. Passar para o outro lado.
     Mas encarando o lado espiritual deste evento nos deparamos com um homem, um homem que nos amou da maneira mais absurda e intensa como nenhum outro ser foi capaz, que em sua época se destacou defendo os mais pobres e oprimidos, teve a coragem de se levantar diante daqueles que de cima se sentiam no direito de pisar nos demais, que espalhou a esperança, trouxe os milagres àqueles que já não acreditavam mais, um homem com um ideal: salvar a humanidade. Um homem com uma paixão gigantesca por nós, por todos nós, pelos que viveram, vivem e viverão, um como nenhum outro, um homem chamado Jesus. Ele cometeu provavelmente o maior ato de amor da humanidade deixando-se ser preso, torturado, humilhado, crucificado e morto por nós, portanto não deixemos que isso passe em branco nessa Páscoa, voltemos nossos corações àquele momento, àquele homem tão humilde, forte e insuperável.
     E encarando também o lado mais prático deste feriado vamos todos nos permitir passar, e que não tenhamos medo dessa passagem. Seja ela uma passagem de idade ou de maioridade, de casa ou de país, de namorado ou de vida, de trabalho ou de carreira, de cabelo ou de coragem, precisamos deixar que as coisas mudem, que saiam do lugar. A Páscoa é uma data de renovação, de comemoração pelo que aconteceu e pelo que acontecerá, é o momento perfeito para aquela análise pessoal do que estamos vivendo. Se estamos felizes, se realizamos algum sonho, se temos sonhos novos, se fizemos a diferença na vida de alguém, se estamos amando, se estamos sendo amados, se estamos em contato com nossa espiritualidade, se estamos progredindo ou se estamos parados, é a hora de colocar nossa vida na balança e ver o que acontece.
     Para as passagens mais doloridas confiança e paciência, confie que o outro lado será tão bom quanto este e tenha paciência para se adequar a ele. Para aquelas mais complicadas tempo e perseverança, lute para que aconteça e espere o tempo fazer seu trabalho, para as mais leves e tranqüilas abuse da sensação de estar mudando, de estar vendo diante de seus olhos algo nascer.
     Que esta Páscoa seja repleta de boas vibrações, de inspirações para mudanças, de agradecimento, amor, paz, reflexão, de aproximação com Deus, de renovação. Que todos nós possamos abrir nossos corações, nossas vidas, para as coisas novas porque Deus... bom, ele nunca erra. 

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

(Errata)

O parênteses no título desta postagem se dá pelo fato de que não se trata bem de uma errata (?), enfim, o caso é que a Ana, a Ana Banana sabe, não vai mais aparecer no blog, deletei as postagens dos capítulos anteriores e não pretendo postar mais nada sobre ela por tempo indeterminado. Motivo: Ela é meu tesouro mais raro e precisa de muito trabalho bruto e árduo antes de ser exposta novamente. Bom, é isso.
2bj, Lari

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Little Lion Man


Não percamos tempo meus caros, arrumando mais problemas. Concentremo-nos nos próprios que já arrumamos! Já diziam os mais sábios. Mania nossa de nunca ouvir conselhos e de nos acharmos tão auto-suficientes para nunca, nunca mesmo, ouvirmos nada ao nosso redor. Quando sua mãe te diz, filho não saia na chuva porque vai pegar um resfriado, você sai com mais vontade ainda. O mesmo se aplica quando seu namorado te diz, não vai, e você vai, e quando você vê, ele se foi. Não só conselhos práticos, mas dicas de que o que estamos fazendo ou pretendemos fazer é errado e vai dar mais errado ainda. Por que simplesmente não ouvimos e paramos? Porque dar o braço a torcer é difícil demais, sinal de fraqueza, de falta de coragem. Será? Ou não se trata de mais um caso típico de problema que você mesmo inventou? A maior parte dos nossos problemas poderia ser evitada se ouvíssemos mais e falássemos menos, se consertássemos mais e quebrássemos menos, se enxergássemos em cada erro uma oportunidade, em cada não, uma precaução, em cada conselho, experiência. Em tudo, ouvir é sempre melhor do que falar. Ouvir o que está ao seu redor e não somente palavras sólidas, ouvir o que o céu escuro está dizendo, o que o olhar daquela pessoa grita, o que o chocolate delicioso e calórico denuncia, o que o seu coração diz. Ouvir cada pequeno detalhe do universo, ouvir as entrelinhas, para que nunca mais tenhamos que ouvir aquela maldita frase: "Eu te avisei."


"Avalie-se e viole-se,
Pegue toda a coragem que você abandonou disperdiçando-se em 
consertar todos os problemas que você criou 
em sua própria cabeça."
 Little Lion Man - Mumford and Sons